Resenha – Mastigando Humanos

Digamos que esse livro não é o dos mais comuns que já tive o prazer de ler, o que não o deixa menos interessante e o que diminua, em hipótese alguma, o seu nível de qualidade. Mastigando Humanos é um presente para todo aquele que tenha uma mente aberta e saiba filtrar realmente o que o autor quer passar.

No começo da história já tomamos um susto por saber que nosso incrível narrador é um jacaré, pasmem, mas um ótimo escritor, diga-se de passagem. Outros personagens que rondam na história também são o sapo doidão que vive drogado junto com um amigo aleatório, o único ser humano do livro, pelo menos o único que participa ativamente.

Nosso jacaré faz questionamentos e mostra acontecimentos do dia a dia que são muito familiares com as comparadas na vida de um adolescente comum, que tem suas dúvidas e opiniões sobre o mundo a sua volta e sobre todos os tipos de fugas que buscam para fazer parte da sociedade, na visão deles.

Ele conta como foi sua história e que chegou ao esgoto depois dos problemas de puberdade, alegando não saber o que estava fazendo dentro do seu habitat natural, sentindo que não pertencia mais àquele lugar. Ele envolve o leitor, nós, para sentirmos o mesmo sentimento que ele descreve e também para começarmos a refletir sobre os questionamentos que nós mesmos temos sobre a nossa vida.

Ele tem um amigo que conheceu nessa mudança de vida, um cachorro, que ele mesmo deu o nome de Brás. O cachorrinho não segue a mesma linha do nosso jacaré escritor-narrador, é apenas mais um animal pacato e não-falante que aparece no livro. Logo, aparecem mais personagens que vão se intercalando e fazendo parte da vida do protagonista. Como exemplo, temos o sapo, descrito no início desta resenha, que se chama Vergueiro, entre outros.

Mesmo com toda essa crítica construtiva que ele faz sobre a vida durante todo o livro, de acordo com cada acontecimento que ele se torna personagem, nosso jacaré também tem um caso de amor não correspondido, platônico, podemos dizer assim.

Desde que uma mulher de sapatos de crocodilo, o alimenta todos os dias, mesmo sem saber disso, o animal fica extremamente encantado por ela, nomeando-a de Ana Rosa. Depois de todos esses acontecimentos, o protagonista vai para uma universidade, mesmo contra a sua vontade.

E é a partir desse ponto da sua vida, que o jacaré resolve escrever sobre a sua vida, o que se torna no nosso livro – Mastigando Humanos. Ele percebe que na universidade, ao invés de existirem pessoas, na verdade é composta por animais que querem ter a cultura e a postura da vida humana.

De tudo, de todos os gêneros e títulos que já tive a oportunidade de ler, este livro foi um dos mais surpreendentes. Com uma história bastante intrigante e interessante a cada página, ele é um dos “top list” de livros que quero repetir a dose.

Ele faz com que o leitor consiga refletir até sobre as coisas mais simples que afetam apenas nosso espaço reservado, como também sobre coisas mais grandiosas que envolve a sociedade como um todo e para que nós, que já passamos da fase da puberdade, possamos nos identificar com ao menos um dos questionamentos presentes no livro.

Eu recomendo firmemente a leitura dessa obra de arte, que é o que o livro se tornou para mim, uma obra de arte psicodélica.

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