Resenha – A menina que roubava livros

Confesso que eu fui um pouco influenciada para começar a leitura deste livro. A menina que roubava livros, para mim, era só mais uma dessas histórias que ganharam popularidade, mas não seria nada interessante para alguém que gosta de ler sobre coisas novas.

Mesmo com essa visão distorcida, eu decidi me aventurar na leitura das suas quase 400 páginas. Eu realmente me surpreendi. A história é bem contada, bem amarrada, os personagens estão bem divididos e descritos, como se o leitor notasse o papel de cada um.

Ele nos conta a história de nossa pequena menina Liesel, a qual nos surpreende por receber afeto por parte da morte, que ela desconhece, a qual é a nossa narradora de todos os fatos. O cenário é a Alemanha nazista de 1939, o que nos leva a ligar os fatos à uma história triste e trágica, o que está muito certo.

E apesar de toda a melancolia e tristeza, o livro nos dá a graça de imaginar-nos tempos felizes para Liesel, mas vou começar do princípio.

O livro começa quando Liesel e seu irmãozinho estão indo com a sua mãe para uma nova casa, onde eles foram adotados, pois a mãe é uma perseguida do nazismo e viu ali a chance dos seus filhos terem um futuro melhor, pelo menos um deles. Logo no começo, o seu irmão pequeno morre antes de chegar ao destino final e no caminho do seu enterro, Liesel encontra um livro, que julga ser do coveiro, levando-o consigo.

Apesar de não saber ler, ainda, a menina fica determinada que vai conseguir decifrar aquele livro e saber do que se trata. Chegando a sua nova casa, ela tem dificuldades em se adaptar com a sua nova família, quando sua mãe Rosa, uma mulher ríspida e fria, pelo menos na frente da menina, tenta fazê-la sentir em casa, de um jeito torto, confesso. Por outro lado, o seu pai adotivo, Hans, um homem bondoso e de ar gracioso, que consegue conquistar a menina aos poucos e que vai ser crucial na sua missão de desbravar os livros que ela vai encontrar pelo caminho.

Quando a pequena começa a ter amizades e se enturmar, o livro tem um ar mais puro e leve, deixando o leitor esquecer um pouco da atmosfera nazista da segunda guerra mundial que paira sobre o mundo, o que não dura muito tempo.

A morte por vezes faz relatos tristes e perturbadores sobre como o seu trabalho era cansativo, principalmente quando teria tanto trabalho para levar a alma de milhares de pessoas vítimas da guerra, sobretudo na Alemanha, onde havia o extermínio cruel dos judeus. Ele traz questionamentos sobre como um ser humano vive e o poder que temos nas mãos, quando unidos em um propósito, até mesmo um tão torto como o das guerras. Ela também subestima a raça humana em alguns aspectos que nós podemos mudar algo e assim preferimos ficar sem fazer nada, esperando a vida passar ou a morte chegar, como queira.

O livro fica mais triste quando se aproxima o fim, quando pessoas queridas pela protagonista são vítimas da guerra e a deixam, sozinha no mundo. Uma pequena menina, que perdeu sua família duas vezes, apaixonada por livros e que teve que lidar cara a cara com a guerra, mesmo não a entendendo, muitas vezes.

Sorte dela que ainda restava seu amigo Max, um judeu fugitivo que foi abrigado na casa dos Hubermann, a família adotiva de Liesel e que você pode descobrir mais fazendo a leitura. Espero que eu tenha conseguido te convencer de começar a ler o livro com essa pequena visão que tive como leitora, é bastante emocionante e nos faz refletir mais sobre a vida e a morte.

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