Resenha – A menina que não sabia ler

Digamos que eu demorei algum tempo até conseguir digerir tudo que tinha lido neste livro, pois cometi o erro de compará-lo com A menina que roubava livros, o que, na verdade, foi um erro fatal. Mas eu me decepcionei apenas comigo mesma, porque o livro me surpreendeu de uma forma grandiosa e eu, realmente, adorei ter lido cada página dele.

A história conta a vida da nossa narradora, Florence, uma menina órfã e que vai morar junto com o seu irmão mais novo, com o tio em uma mansão distante da civilização. Lá, eles recebem os cuidados dos empregados que têm ordem de ensinar à menina apenas com o propósito de ser uma boa esposa e uma boa mãe, o que não tinha espaço para ensiná-la a ler. Certo dia, a menina, curiosa como sempre, descobre uma biblioteca na enorme mansão, abandonada e toda empoeirada e então se apaixona pelos livros. A partir desta paixão ela fica determinada em aprender a ler sozinha.

Ela é o tipo de irmã que super protege o caçula e tenta impedir, de todas as formas, qualquer mínimo risco de perigo que algo apresentar à ele.  Eles, então, recebem uma governanta, que para a menina parece uma mulher muito suspeita. Ela não aparece por acaso, é chamada para substituir a antiga governanta, que morreu de uma fatalidade no lago gelado da mansão.

Florence se sente cada vez mais ameaçada pela nova governanta, enquanto ela é uma mulher ríspida e dura com a menina, porém se torna doce e atenciosa quando se trata do seu irmão mais novo. A partir daí, o livro se torna bem mais interessante do que o começo tedioso, pelo menos pra mim foi. O irmão de Florence é enviado a um colégio militar masculino, ela recebe a visita de vez em quando do seu vizinho, Theodor, quem ela chama de Theo, e conta com o mistério envolvendo a vida da nova mulher misteriosa.

Acontecem muitas coisas desde o meio do livro até o seu final, que, particularmente, foi totalmente inesperado e desesperador, mas o que não o tornou monótono e me agradou bastante. Eu gosto muito de suspenses.

Entre as idas da menina à biblioteca durante a noite e os seus encontros no escuro com a governanta, a sua tentativa de decifrar o enigma por trás da mulher, o livro perde alguns pontos por várias páginas retratarem apenas o dia singelo e nada interessante da vida dos que moram na mansão.

O livro em si é um misto de emoções. No começo, eu senti muito tédio, aquela vontade enorme de fechar o livro e esquecer que ele existe, por ter uma leitura chata e sem graça até certa parte. Depois que começou o suspense, eu comecei a dar uma chance para ele e continuei lendo, mas me prometendo parar se voltasse o tédio do começo.

Promessa essa que não cumpri nas partes da rotina dos personagens e agradeço muito por não ter feito, pois o final do livro foi a parte que mais valeu a pena ler. Se pudesse, esqueceria toda a história só para conseguir ler aquele final novamente e me surpreender, perder algumas horas só pensando e digerindo tudo aquilo.

Este título – A menina que não sabia ler, na verdade tem o título original Florence e Giles, que a meu ver, se adequa bem melhor ao livro, já que o mesmo foca inteiramente nos dois personagens. De um lado uma menina de 12 anos, frustrada e curiosa, ao mesmo tempo muito ciumenta e cuidadosa com seu irmão e o pequeno Giles, mais um garoto ingênuo e carente de atenção.

O livro é uma boa opção para ler, eu garanto.

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